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Imagem: ‘Криниця для спраглих’, Yuri Ilyenko

Ernesto Kavi. La luz impronunciable. 2016, Sexto Piso.


Canto VII

 

O mal

           debaixo do sol é o mesmo

para todos

           uma só fortuna

                                      partilhamos

 

uma só desgraça enche o coração

e vi ainda

debaixo do sol

que não depende dos guerreiros

a paz

nem dos heróis

a vitória

nem dos amantes

o amor

nem dos que penam

a tristeza

nem dos poderosos

a compaixão

nem dos santos

a graça

 

o tempo a sorte

                            caem

                                 como um machado sobre todos

 

Vi com precisão a sabedoria

debaixo do sol

 

Vi os justos e os sábios e as suas obras

nas mãos do meu amado

 

também o amor

o ódio

 

Mas o homem nada sabe

da sua gentileza

do seu desprezo

 

Ignora que o destino a todos iguala

 

Não conhece a sua hora

é como o peixe na rede

como o pássaro na armadilha

 

***

os mortos sabem tudo

os vivos ignoram que morrerão

são escravos de recordações e riquezas

 

 

Tudo vi

durante os dias inúteis

o justo morrer

na justiça o mal

perdurar no mal

 

Extraviei-me ao entrar

no sentido das coisas

 

e encontrei algo

mais doce que a morte

 

o coração de uma mulher

 

é um lago

suas mãos

um poço de água

que dá de beber

a quem vive errando

 

Observa o que encontrei observa

todas as coisas

uma a uma

para compreender a sua causa

 

Melhores são dois que um

sem filho sem irmão

estamos sozinhos

 

Se um cai

o outro levanta-o,

mas quem nos levantará

se cairmos sozinhos?

 

Falei com o meu coração e disse

 

para quem é o meu penar?

 

que farão os amores

ao que se encontra na alma vulnerado?

 

Quando dois dormem juntos

não há inverno,

mas que calor

para quem dorme sozinho?


Canto VII

 

El mal

           bajo el sol es el mismo

para todos

           una sola fortuna

                                      compartimos

 

una sola desgracia colma el corazón

y vi todavía

bajo el sol

que no depende de los guerreros

la paz

ni de los héroes

la victoria

ni de los amantes

el amor

ni de los que penan

la tristeza

ni de los poderosos

la compasión

ni de los santos

la gracia

 

el tiempo la suerte

                            caen

                                 como un hacho sobre todos

 

Vi con precisión la sabiduría

bajo el sol

 

Vi a los justos y a los sabios y a sus obras

en manos de mi amado

 

también el amor

el odio

 

Pero el hombre nada sabe

de su favor

de su desprecio

 

Ignora que el destino a todos los iguala

 

No conoce su hora

es como el pez en la red

como el pájaro en la trampa

 

 

***

los muertos lo saben todo

los vivos ignoran que morirán

son esclavos de recuerdos y riquezas

 

 

Todo lo vi

durante los días inútiles

el justo morir

en la justicia el mal

perdurar en el mal

 

Me extravié al adentrarme

en el sentido de las cosas

 

y encontré algo

más dulce que la muerte

 

el corazón de una mujer

 

es un lago

sus manos

un pozo de agua

que da de beber

a quien vive errando

 

Observa lo que he encontrado observa

todas las cosas

una a una

para comprender su causa

 

Mejores son dos que uno

sin hijo sin hermano

estamos solos

 

Si uno cae

el otro lo levanta,

pero ¿quién nos levantará

si caemos solos?

 

Hablé con mi corazón y dije

 

¿para quién es mi penar?

 

¿qué le harán los amores

al que se encuentra en el alma vulnerado?

 

Cuando dos duermen juntos

no hay invierno,

pero ¿qué calor

para quien duerme solo?




Revisora da tradução para o Português: Sara I. Veiga
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