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Imagem: On the Silver Globe. Andrzej Zulawski

Nicanor Parra

El Anti-Lázaro

En Hoja de Parra, 1985

Muerto no te levantes de la tumba
qué ganarías con resucitar
una hazaña
…………….. y después
……………………………. la rutina de siempre
no te conviene viejo no te conviene

el orgullo la sangre la avaricia
la tiranía del deseo venéreo
los dolores que causa la mujer

el enigma del tiempo
las arbitrariedades del espacio

recapacita muerto recapacita
que no recuerdas cómo era la cosa?
a la menor dificultad explotabas
en improperios a diestra y siniestra

todo te molestaba
no resistías ya
ni la presencia de tu propia sombra

mala memoria viejo ¡mala memoria!
tu corazón era un montón de escombros
-estoy citando tus propios escritos-
y de tu alma no quedaba nada

a qué volver entonces al infierno del Dante
¿para que se repita la comedia?
qué divina comedia ni qué 8/4
voladores de luces – espejismos
cebo para cazar lauchas golosas
ese sí que sería disparate

eres feliz cadáver eres feliz
en tu sepulcro no te falta nada
ríete de los peces de colores

aló – aló me estás escuchando?

quién no va a preferir
el amor de la tierra
a las caricias de una lóbrega prostituta
nadie que esté en sus 5 sentidos
salvo que tenga pacto con el diablo

sigue durmiendo hombre sigue durmiendo
sin los aguijonazos de la duda
amo y señor de tu propio ataúd
en la quietud de la noche perfecta
libre de pelo y paja
como si nunca hubieras estado despierto

no resucites por ningún motivo
no tienes para qué ponerte nervioso
como dijo el poeta
tienes toda la muerte por delante


O ANTI-LÁZARO

Não te levantes da tumba morto
o que ganharias com ressuscitar
um feito
…………..e depois
………………………a rotina de sempre
não te convém velho não te convém

o orgulho o sangue a avareza
a tirania do desejo venéreo
as dores que a mulher causa

o enigma do tempo
as arbitrariedades do espaço

reconsidera morto reconsidera
não te recordas como era?
à menor dificuldade espoletavas
em impropérios à direita e à esquerda

tudo te incomodava
já não resistias
nem à presença da tua própria sombra

má memória velho má memória!
o teu coração era um monte de escombros
─ estou a citar os teus próprios escritos ─
e da tua alma nada restava

para quê então voltar ao inferno de Dante?
para que a comédia se repita?
qual divina comédia qual quê
fogo de artifício ─ miragens
isco para caçar vermes gulosos
isso sim seria um grande disparate

és feliz cadáver és feliz
nada te falta no teu sepulcro
ri-te dos peixes coloridos

alô ─ alô estás a ouvir-me?

quem não há-de preferir
o amor da terra
às carícias de uma lúgubre prostituta
ninguém em plena posse das suas faculdades
a não ser que tenha um pacto com o diabo

continua a dormir homem continua a dormir
sem as ferroadas da dúvida
senhor e amo do teu próprio caixão
na quietude da noite perfeita
liberto de inutilidades
como se nunca tivesses estado acordado

por nenhum motivo ressuscites
não tens por que ficar nervoso
como disse o poeta
tens toda a morte pela frente


 

Versão em portugués de Henrique Manuel Bento Fialho

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