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Foto: Herbert List

Jesús Castro Yáñez. Os nomes e os himnos. Espiral maior, 2016

ANGELUS NOVUS

Un anxo acendeu a nosa fronte
cunha marca de sete espellos. Un anxo
cos xenitais na voz e ningún idioma
para a vergoña, con fariña nas palabras,
verbos só de vogais felices coma estrelas
e unha vez que estoupen
volveremos ao segredo sen mensaxe da nada.

Un anxo nunca repetiu ningún son
por medo a facelo sólido. Calou así
só para que non lle pesaran as palabras,
e ser honesto, e facer do silencio
unha arqueoloxía íntima onde recordar é coidar.

Nós escoitamos a nosa voz coma un trono dicir
está tronando,
nós manchamos de branco a camisa branca
e sabemos que así foi amar: unha luz tódalas luces,
aínda que unha luz cega para si mesma.


ANGELUS NOVUS

Un ángel encendió nuestra frente

con una marca de siete espejos. Un ángel

con genitales en la voz y ningún idioma

para la vergüenza, con harina en las palabras,

verbos solo de vocales felices como estrellas

y una vez que exploten

volveremos al secreto sin mensaje de la nada.

 

Un ángel nunca repitió ningún sonido

por temor a hacerlo sólido. Calló así

solo para que no le pesasen las palabras,

y ser honesto, y hacer del silencio

una arqueología íntima donde recordar es cuidar.

 

Nosotros escuchamos nuestra voz como un trueno decir

está tronando,

nosotros manchamos de blanco la camisa blanca

y sabemos que así fue amar: una luz todas las luces,

aunque una luz ciega para sí misma.


ANGELUS NOVUS

Um anjo acendeu a nossa fronte
com uma marca de sete espelhos. Um anjo
com os genitais na voz e nenhum idioma
para a vergonha, com farinha nas palavras,
verbos só de vogais felizes como estrelas
e assim que estourem
volveremos ao segredo sem mensagem do nada.

Um anjo nunca repetiu nenhum som
por medo a torná-lo sólido. Calou-se assim
só para que não lhe pesassem as palavras,
e ser honesto, e fazer do silêncio
uma arqueologia íntima onde recordar é cuidar.

Nós escutamos a nossa voz como um trovão dizer
está a trovejar,
nós manchamos de branco a camisa branca
e sabemos que assim foi amar: uma luz todas as luzes,
ainda que uma luz cega para si própria.


Traducción al castellano del propio autor.


Revisora da tradução para o Português: Sara I. Veiga

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