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Imagem: John Cassavettes

António Franco Alexandre. Quatro Caprichos. (Assírio & Alvim, 1999)

Cinco poemas de corto viaggio sentimentale, capriccio italiano

1

não havendo limite ao que podemos

imaginar, as bocas facilmente se tocam

e duas diferentes línguas se

respondem, com dolce violenza.

Que mais desejarias ter

noutra vida: o meu talento

ou le mie gambe?

8

a minha boca, as minhas mãos, os dedos que

seguram a caneta e seguem o braço, o ombro,

os olhos já um pouco mais longe vendo, ouvindo,

a manhã misturada ao buraco húmido da língua,

as noites iam ser como um insecto perfeito

iluminadas e vazias,

tudo de repente ficou teu, e rimos das

palavras, sem razão, adolescentes.

27

venho dormir junto de ti

e o meu corpo é uma coisa diferente

do que se vê ou toca ou sente;

é, fora de mim, essa coluna de ar onde respiro,

olhos que beijam o teu corpo exacto,

as muitas mãos que dobram o teu rosto.

Um deus que dorme, um deus que dança, e mais

que um mero deus, o breve amor do tempo.

34

roubo-te o amor, aos poucos, como chuva

pequena para o incêndio deste agosto.

A tua boca voa

entre cidades, rios, mulheres

audaciosas como o vinho, homens

sonoros como granizo.

não vou deixar que esta ficção

acabe assim, de mesa posta sem lume.

Está feito uma pedra o coração faraó

mas este sinal no teu sangue

permite passar além-fronteiras.

E depois o teu nome será lembrado, cantado

por não estar nunca neste pranto.

39

outra vez volto

a olhar. O paraíso

é assim: à semelhança do inferno,

mas em tudo diferente.

Por exemplo: aqui trocamos os nomes todos,

cada dia é uma nova

constelação. Do outro lado

dos teus olhos,

quando o retrovisor espreita

por cima dos teus ombros,

fica um mundo suspenso,

o manso amor, o vento.


1

no habiendo límite a lo que podemos

imaginar, las bocas fácilmente se tocan

y dos diferentes lenguas se

responden, con dolce violenza.

¿ Qué más desearías tener

en otra vida:  mi talento

o le mie gambe?

8

mi boca, mis manos, los dedos que

sostienen la estilográfica y siguen el brazo, el hombro,

los ojos ya un poco más lejos viendo, oyendo,

la mañana confundida con el agujero húmedo de tu lengua,

las noches iban a ser como un insecto perfecto

iluminadas y vacías,

todo de repente fue tuyo, y nos reímos de las

palabras, sin razón, adolescentes.

27

vengo a dormir junto a ti

y mi cuerpo es algo diferente

de lo que se ve o toca o siente;

es, fuera de mí, esa columna de aire donde respiro,

ojos que besan tu cuerpo exacto,

las muchas manos que pliegan tu rostro.

Un dios que duerme, un dios que danza, y más

que un mero dios, el breve amor del tiempo.

34

te robo el amor, poco a poco, como lluvia

pequeña para el incendio de este agosto.

Tu boca vuela

entre ciudades, ríos, mujeres

audaces como el vino, hombres

sonoros como granizo.

no dejaré que esta ficción

acabe así, mesa puesta sin lumbre.

Está hecho una piedra el corazón del faraón

pero esta marca en tu sangre

permite traspasar las fronteras.

Y después tu nombre será recordado, cantado

por no estar nunca en este llanto.

39

otra vez vuelvo

a mirar. El paraíso

es así: semejante al infierno,

pero en todo diferente.

Por ejemplo: aquí cambiamos todos los nombres,

cada día es una nueva

constelación. Del otro lado

de tus ojos,

cuando el retrovisor otea

por encima de tus hombros,

queda un mundo suspendido,

el manso amor, el viento.

 

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