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Vicente Luis Mora. Construcción. (Pre-Textos, 2005)

 

I

ab cd ef pq rs tu


a         e   p   r   tu

p u e r t a

puerta espacios cada deslinda dos
el el y camino viejo nuevo sella abre

 

desde que sé hablar
puedo ponerlo todo en orden

 

cada puerta deslinda dos espacios
abre el camino nuevo y sella el viejo

no importa qué leyeras hasta ahora
el alfabeto es puerta de este libro
la voz que da la luz sendero entrada

 

todo es puerta

 

el alfabeto es la primera piedra

intento construir con el lenguaje

te aguardan mil seiscientos escalones
aquí comienza la muralla china
el viaje inacabable de la vida

el viaje interminable hacia la muerte

el máelstrom eterno al interior

vamos entonces tú y yo

 

tenemos alfabeto y el camino

tenemos materiales suficientes
para esta construcción

leer el tránsito

probarnos las historias como trajes

son cinco mil kilómetros de muro

leer es construir

y hay tiempo de ser todos

 

 

 

comencemos por mí


ab cd ef pq rs tu


a         o   p   r   t

p o r t a

porta espaços cada deslinda dois
o o e caminho velho novo sela abre

 

desde que sei falar
posso pôr tudo em ordem

 

cada porta deslinda dois espaços
abre o caminho novo e sela o velho

não importa que lesses até agora
o alfabeto é porta deste livro
a voz que dá a luz sendeiro entrada

 

tudo é porta

 

o alfabeto é a primeira pedra

tento construir com a linguagem

esperam por ti mil seiscentos degraus
aqui começa a muralha da China
a viagem inacabável da vida

a viagem interminável rumo à morte

o maelstrom eterno no interior

vamos então tu e eu

 

temos alfabeto e o caminho

temos materiais suficientes
para esta construção

ler o trânsito

experimentar as histórias como fatos

são cinco mil quilómetros de muro

ler é construir

e há tempo para ser todos

 

 

 

comecemos por mim


ab cd ef pq rs tu


a         p   r   to

p o r t a

porta espazos cada deslinda dous
o o e camiño vello novo sela abre

 

dende que sei falar
podo pór todo en orde

 

cada porta deslinda dous espazos
abre o camiño novo e sela o vello

non importa que leses até agora
o alfabeto é porta deste libro
a voz que dá a luz sendeiro entrada

 

todo é porta

 

o alfabeto é a primeira pedra

tento construír coa linguaxe

agardan por ti mil seiscentos chanzos
aquí comeza a muralla chinesa
a viaxe inacabábel da vida

a viaxe interminábel até a morte

o máelstrom eterno no interior

imos entón ti e eu

 

temos alfabeto e o camiño

temos materiais suficientes
para esta construción

ler o tránsito

probarnos as historias coma traxes

son cinco mil quilómetros de muro

ler é construír

e hai tempo de ser todos

 

 

 

comecemos por min

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