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ZONAS DE TRÂNSITO

(Versão 2ª)

As versões de mim são infinitas.

As versões de mim e as versões da realidade combinam-se como uma sucessão de sonhos.

Na era do não-eu uma pessoa não pode dizer qual é o seu rosto porque o seu rosto altera-se continuamente.

Mais do que sermos homens, somos imagens humanas que se deslocam pelos circuitos do real.

Cada rosto é a hipótese de uma nova vida e cada vida uma sucessão de fragmentos.

Gostamos de consumir a vida de outros, gostamos de inventar psicologias fictícias.

Temos armazenado o rosto e a alma das pessoas: por isso ninguém pode morrer.

A morte só ocorre quando o homem não é dono de si mesmo, quando a mecânica das coisas é concebida como superstição e como credo, quando está fora da tecnologia e fora do mercado.

Fui de uma imagem a outra porque todas eram minhas.

Fui tantos que já não sei quem fui.

O infinito das nossas identidades faz com que não tenhamos nenhuma.

E o prazer de ser outro é a única medida da nossa transcendência.

Não há outra medida humana.

Tudo aqui são imagens: não há coisas mas sim imagens de coisas, não há seres mas sim imagens de seres: não há almas mas sim imagens de almas.

As ideias são dadas pelas corporações informativas, os pensamentos são pensamentos de mercado.

Se alguém pensa outra coisa é declarado inimigo público.


 

ZONAS DE TRÁNSITO

(Versión 2ª)

Las versiones de mí son infinitas.

Las versiones de mí y las versiones de la realidad se combinan como una sucesión de sueños.

En la era del no-yo uno no puede decir cuál es su rostro porque su rostro cambia continuamente.

Más allá de ser hombres, somos imágenes humanas que se desplazan por los circuitos de lo real.

Cada rostro es la hipótesis de una nueva vida y cada vida una sucesión de fragmentos.

Nos gusta consumir la vida de otros, nos gusta inventarnos psicologías ficticias.

Tenemos almacenados el rostro y el alma de la gente: por eso nadie puede morir.

La muerte sólo existe cuando el hombre no es dueño de sí mismo, cuando la mecánica de las cosas es concebida como superstición y como creencia, cuando está fuera de la tecnología y fuera del mercado.

He ido de una imagen a otra porque todas eran mías.

He sido tantos que ya no sé quien he sido.

Lo infinito de nuestras identidades hace que no tengamos ninguna.

Y el placer de ser otro es la única medida de nuestra trascendencia.

No hay otra medida humana.

Todo aquí son imágenes: no hay cosas sino imágenes de cosas, no hay seres sino imágenes de seres: no hay almas sino imágenes de almas.

Las ideas viene dadas por las corporaciones informativas, los pensamientos son pensamientos de mercado.

Si alguien piensa otra cosa es declarado enemigo público.

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