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manuel vilariñoFoto: Manuel Vilariño

Óscar Curieses. Dentro (Bartleby Editores, 2010)

Sinto duas mãos no coração aberto, acariciam-me a luz-carne. Não sei se me amam ou me matam porque de entre as minhas coxas nasce um pássaro manchado de excrementos

e de sangue

e corto-lhe o cordão umbilical para que voe dentro dos meus sonhos

Está nevando pássaros: Por que?

Sozinha

Olho

o meu interior neve: sangra

.

Nego a porta da gaiola para que a luz escape do meu sangue estreito

.

Acordam as minhas irmãs

e estou sozinha

e não há almas

e os pássaros ardem

.

: Tudo está cheio de gaiolas de luz.


Sinto dúas mans no corazón aberto, acaríñanme a luz-carne. Non sei se me aman ou me matan porque de entre as miñas coxas nace un paxaro manchado de excrementos

e de sangue

e córtolle o cordón umbilical para que voe dentro dos meus soños

Está nevando paxaros: Por que?

Soa

Miro

o meu interior neve: sangra

.

Nego a porta da gaiola para que a luz escape do meu sangue estreito

Despertan as miñas irmás

e estou soa

e non hai almas

e os paxaros arden

.

: Todo está cheo de gaiolas de luz.


Siento dos manos en el corazón abierto, me acarician la luz-carne. No sé si me aman o me matan porque de entre mis muslos nace un pájaro manchado de excrementos

y de sangre

y le corto el cordón umbilical para que vuele dentro de mis sueños

Está nevando pájaros: ¿Por qué?

Sola

Miro

mi interior nieve: sangra

.

Niego la puerta de la jaula para que la luz se escape de mi sangre estrecha

.

Despiertan mis hermanas

y estoy sola

y no hay almas

y los pájaros arden

.

: Todo está lleno de jaulas de luz.

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