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As liñas da man,

o teu corpo brocado de sucos onde se amorea a quincalla.

 

Es máis vello do que pensas cando te gabas de ollos grandes

que saben mirar coa pureza dun neno sen roupa.

 

Tamén eles coñecen o nervio do poema,

o cerebro que incha cando aparece a calor

como unha forma de desorde polo medio das palabras.

 

Aquel era o teu órgano remexendo na escrita

 

coa man dereita amarrada para non traizoarte

e o aire saíndo a cachón desde dentro da boca

 

como un poeta que perde o verbo que se vai.

 

Así mantiveches a lingua escindida da pedra

para non traizoarte.

 

Así

estiven contigo na busca dun lugar a onde ir.

 

Corazón de suburbio,

perfectamente transido pola escoura,

 

para que non se poida amar nada máis

 

nada que non sexa o resto dunha guerra

que perdemos no momento en que nos vence o frío.

 

Pero non hai baixada ao inferno nas letras que escribes despois da febre.

 

Un lugar onde só quedan os bordos da braña cando o río reborda:

 

o teu corpo trenzado de linguaxe

sucio cando regresa de tocar

todos os corpos

de habitar todas as casas

 

finito e leal

á razón da súa propia condena

a morte.

 

Vai frío pola banda dos que dan en pintar coa man esquerda para non traizoarse.

 

-4,5º

 

Inverno a este lado do mapa 


As linhas da mão,

o teu corpo brocado de sucos onde se empilha a sucata.

 

És mais velho do que pensas quando te gabas de olhos grandes

que sabem ver com a pureza de um menino sem roupa.

 

Também eles conhecem o nervo do poema,

o cérebro que incha quando aparece a calor

como uma forma de desordem pelo meio das palavras.

 

Aquele era o teu órgão remexendo na escrita

 

com a mão direita amarrada para não te trair

e o ar saindo a jorro desde dentro da boca

 

como um poeta que perde o verbo que se vai.

 

Assim mantiveste a língua cindida da pedra

para não te trair.

 

Assim

estive contigo na busca de um lugar a onde ir.

 

Coração de subúrbio,

perfeitamente transido pela escória,

 

para que não se possa amar mais nada

 

nada que não seja o resto de uma guerra

que perdemos no momento em que nos vence o frio.

 

Mas não há baixada ao inferno nas letras que escreves depois da febre.

 

Um lugar onde só ficam os bordos do brejo quando o rio transborda:

 

o teu corpo trançado de linguagem

sujo quando regressa de tocar

todos os corpos

de habitar todas as casas

 

finito e leal

à ração da sua própria condenação

a morte.

 

Vai frio pela banda dos que dão em pintar com a mão esquerda para não se trair.

 

-4,5º

 

Inverno a este lado do mapa 


Las LÍNEAS de la mano

tu cuerpo brocado de surcos donde se amontona la chatarra.

 

Eres más viejo de lo que piensas cuando presumes de ojos grandes

que saben mirar con la pureza de un niño sin ropa.

 

También ellos conocen el nervio del poema,

el cerebro que hincha cuando aparece el calor

como una forma de desorden por el medio de las palabras.

 

Aquel era tu órgano revolviendo en la escritura

 

con la mano derecha amarrada para no traicionarte

y el aire saliendo a borbotones desde dentro de la boca

 

como un poeta que pierde el verbo que se va.

 

Así mantuviste la lengua escindida de la piedra

para no traicionarte.

 

Así

estuve contigo buscando un lugar a donde ir.

 

Corazón de suburbio,

perfectamente transido por la escoria,

 

para que no se pueda amar nada más

 

nada que no sea el resto de una guerra

que perdemos en el momento en que nos vence el frío.

 

Pero no hay bajada al infierno en las letras que escribes después de la fiebre.

 

Un lugar donde solo quedan los bordes del marjal cuando el río desborda:

 

tu cuerpo trenzado de lenguaje

sucio cuando regresa de tocar

todos los cuerpos

de habitar todas las casas

 

finito y leal

a la razón de su propia condena

la muerte.

 

Hace frío por la banda de los que les da por pintar con la mano izquierda para no traicionarse.

 

-4,5º

 

Invierno a este lado del mapa 

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