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la errancia y la esperanza
                                   georces perec, ellis island

destruir las relaciones mercantiles, iniciar
la identificación
de un sujeto histórico de cambio,
considerar las perspectivas del agua,
la inutilidad de la memoria, no permitir
que la naturaleza actúe en el texto:
circulamos entre continentes, hace-
mos discursos de nuestra existencia, intentamos
una escritura móvil, entre la errancia
y la esperanza

*

eliseo diego: por fin las cosas comienzan a desmoronarse¹

*

la luz absurda del fin del mundo,
el lobo, las columnas,
la inutilidad del frío

*

técnicamente,
la época precisa de cuerpos.
se nutre de corteza seca, de
escombro y con todo
nada hay que presagie
otra vida, una configuración
autónoma
del tiempo de los árboles
*

el poema es incapaz de dirigirse
a parte alguna; tropieza con la lengua,
con su propia historia

*

la lentitud propia de la época,
la hiriente visibilidad, estar
debajo del sol, sin refugio,
repitiendo, con la guardia baja y
el registro de cicatrices desac-
tivado, con las expectativas amplias
de agosto (el enésimo poema
de verano), pensando en las islas,
en la transparencia, en la movilidad
de las nubes,
en la cuestión irresoluble del cristal,
ese lugar, esa incertidumbre

*

en lo que consista
una lógica de la guerra, la
nocturnidad. No hay ya
tiempo
para evitar la colisión

*

¹En castellano en el original


 

a errância e a esperança
                                  georces perec, ellis island

destruir as relações mercantis, iniciar
a identificação
dum sujeito histórico de câmbio,
considerar as perspectivas da água,
a inutilidade da memoria, não permitir
que a natureza actue no texto:
circulamos entre continentes, faze-
mos discursos da nossa existência, tentamos
uma escrita móvel, entre a errância
e a esperança

*

eliseo diego: por fin las cosas comienzan a desmoronarse¹

*

a luz absurda do fim do mundo,
o lobo, as colunas,
a inutilidade do frio

*

tecnicamente,
a época precisa de corpos.
nutre-se de cortiça seca, de
escombros e com tudo
nada há que pressagie
outra vida, uma configuração
autónoma
do tempo das árvores
*

o poema é incapaz de se dirigir
a parte alguma; tropeça com a língua,
com a sua própria história

*

a lentidão própria da época,
a dolorosa visibilidade, estar
debaixo do sol, sem refúgio,
a repetir, com a guarda baixa e
o registo de cicatrizes desac-
tivado, com as expectativas amplas
de agosto (o enésimo poema
de verão), a pensar nas ilhas,
na transparência, na mobilidade
das nuvens,
na questão irresolúvel do cristal,
esse lugar, essa incerteza

*

no que consista
uma lógica da guerra, a
nocturnidade. Não há já
tempo
para evitar a colisão

*

¹ Em castelhano no original


 

a errancia e a esperanza
…………………….georces perec, ellis island

destruír as relacións mercantís, iniciar
a identificación
dun suxeito histórico de cambio,
considerar as perspectivas da auga,
a inutilidade da memoria, non permitir
que a natureza actúe no texto:
circulamos entre continentes, face-
mos discursos da nosa existencia, tentamos
unha escrita móbil, entre a errancia
e a esperanza

*

eliseo diego: por fin las cosas comienzan a desmoronarse

*

a luz absurda do fin do mundo,
o lobo, as columnas,
a inutilidade do frío

*

tecnicamente,
a época precisa de corpos.
nútrese de cortiza seca, de
cascallo e con todo
nada hai que presaxie
outra vida, unha configuración
autónoma
do tempo das árbores
*

o poema é incapaz de se dirixir
cara a ningures; tropeza coa lingua,
coa súa propia historia

*

a lentitude propia da época,
a ferinte visibilidade, estar
debaixo do sol, sen refuxio,
repetindo, coa garda baixa e
o rexistro de cicatrices desac-
tivado, coas expectativas amplas
de agosto (o enésimo poema
de verán), pensando nas illas,
na transparencia, na mobilidade
das nubes,
na cuestión irresolúbel do cristal,
ese lugar, esa incerteza

*

no que consista
unha lóxica da guerra, a
nocturnidade. Non hai xa
tempo
para evitar a colisión

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