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Imagem: Sergei Ilnitsky

 

Míriam Ferradáns. Deshabitar unha casa. 2017

Entón entraron os paxaros e deshabitei a casa.

As paredes cheas de sangue cruzáronse na memoria,

trabei na lingua,

os paxaros piaban e lembrei aos gatos.

A miña boca era sangue, tiña as pupilas dilatadas, había premeditación na dentada…

Cavei un burato ben fondo.

Así foi, ese día, o ofrecemento da carne.  


Então entraram os pássaros e deshabitei a casa.

As paredes cheias de sangue cruzaram-se na memória,

travei na língua,

os pássaros piavam e lembrei os gatos.

A minha boca era sangue, tinha as pupilas dilatadas, havia premeditação na dentada…

Cavei um buraco bem fundo.

Assim foi, esse dia, o oferecimento da carne.

 


 

Entonces entraron los pájaros y deshabité la casa.

Las paredes llenas de sangre se cruzaron en la memoria,

me mordí la lengua,

los pájaros piaban y me acordé de los gatos.

Mi boca era sangre, tenía las pupilas dilatadas, había premeditación en la dentellada…

Cavé un agujero bien hondo.

Así fue, ese día, el ofrecimiento de la carne.

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