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Imaxe: Gabriel Viñals

Esther Ramón. Sellada, Ejemplar único. 2017.

la pérdida, aunque sea de la memoria, siempre nos lleva hacia atrás / y de repente volvemos a estar en el suelo, castigados por el barro veloz, separados con nuestra marca de arcilla en la frente / toda pérdida tiene que ver con algo que nos antecede, que no podemos nombrar ni tampoco recuperar / y sin embargo los árboles del bosque en el que nos perdimos todavía  conservan sus letras sus pergaminos prensados, aunque nadie los lea, aunque nadie nos recuerde / y por eso perdemos constantemente pequeños objetos / no hay llaves en la puerta, sólo el metal de algo que no encaja, que hiere el lomo manso e irremediable de la madera / o nos perdemos en su pérdida para encontrar la nuestra / las plumas también nos pierden, ya no pueden escribir esta herida / y yacemos muchos meses encajados / hasta que la tinta se levanta y camina su desconcierto / todo final nos remite al inicio que perdimos / los golpes abrieron la forma a sus deformidades/ en el ojo separado se tramita la manipulación de las imágenes / con ráfagas de plata que sellan las fuentes / el brazo que perdió a su cuerpo ya sólo puede despedirse / ramificado y hambriento, el silencio, se va tragando las palabras / por eso se calla el bosque de los niños perdidos, de los padres perdidos / aunque también podemos perder el miedo a perder el miedo a perder / canta el pájaro—árbol, se desnuda para que nadie más escriba sobre él / silbando los pensamientos muy despacio / caminando hacia atrás, sobre el contorno que recorren las hormigas / en la matriz que hornea las formas, en el fuego que no se avivó / hasta llegar a la miga de pan ensalivada / donde todo es posible y nada se ha decidido todavía / poder ser albatros, mica cubo desbordado, castor, oruga muerta, metamorfosis lavada y perfumada / en el torno de las personas que desaparecieron, que todavía resuenan en otros andenes / de lo que come y se ríe sin saber que lo hace por repetición y fractura / y si todo sucede a la vez por qué llegan tan tarde los trenes / fue en el reverso de una moneda fuera de curso / acuñaron un barco,  pero sus velas apagadas y era de noche / ahora amanece y perdimos lo intacto / lo intacto nos despierta cada mañana, con las dedos mojados / perdimos trenes, espigas, aviones, kilos / el silencio es una hilera de dientes arrancados / toda elección fotografía una pérdida, y los bordes en sombra se derraman / perdimos algunos libros valiosos, algunos pañuelos de estaño / tan ligeros íbamos que en el camino nos asaltaban las hojas de los chopos que se iban desprendiendo, sobre el pelo, sobre los hombros nos susurraban sus nombres incomprensibles, en el lenguaje inmóvil de los árboles / porque la pérdida es avance y al avanzar perdemos / abriendo el tiempo del espacio en el espacio del tiempo / el peso, el deseo, la materia / en el umbral del grito / respirando


la perdida eva gonzalez sanchoFotografía: Eduardo Nave, colectivo NOPHOTO

a perda, aínda que sexa da memoria, sempre nos leva cara atrás / e de súpeto voltamos estar no chan, castigados pola lama veloz, separados coa nosa marca de arxila na testa / toda perda ten que ver con algo que nos antecede, que non podemos nomear nin tampouco recuperar / e non en tanto as árbores do bosque no que nos perdemos aínda conservan as súas letras os seus pergamiños prensados, aínda que ninguén os lea, aínda que ninguén nos lembre / e por iso perdemos constantemente pequenos obxectos / non hai chaves na porta, só o metal de algo que non encaixa, que fere o lombo manso e irremediábel da madeira / ou perdémonos na súa perda para atopar a nosa / as plumas tamén nos perden, xa non poden escribir esta ferida / e xacemos moitos meses encaixados / até que a tinta se levanta e camiña o seu desconcerto / toda fin remítenos ao inicio que perdemos / os golpes abriron a forma ás súas deformidades/ no ollo separado tramítase a manipulación das imaxes / con refachos de prata que selan as fontes / o brazo que perdeu o seu corpo xa só pode despedirse / ramificado e famento, o silencio, vai engulindo as palabras / por iso cala o bosque dos cativos perdidos, dos pais perdidos / aínda que tamén podemos perder o medo a perder o medo a perder / canta o paxaro—árbore, íspese para que ninguén máis escriba sobre el / asubiando os pensamentos a modiño / camiñando cara atrás, sobre a contorna que percorren as formigas / na matriz que enforna as formas, no lume que non avivou / até chegar ao miolo do pan insalivado / onde todo é posíbel e nada se decidiu aínda / poder ser albatros, mica balde rebordado, castor, eiruga morta, metamorfose lavada e perfumada / no torno das persoas que desapareceron, que aínda resoan noutros andeis / do que come e ri sen saber que o fai por repetición e fractura / e se todo sucede á vez por que chegan tan tarde os trens / foi no reverso dunha moeda fóra de curso / acuñaron un barco, mais as súas velas apagadas e era noite / agora amence e perdemos o intacto / o intacto espértanos cada mañá, cos dedos mollados / perdemos trens, espigas, avións, quilos / o silencio é unha fileira de dentes arrincados / toda elección fotografa unha perda, e os bordos en sombra derrámanse / perdemos algúns libros valiosos, algúns panos de estaño / tan lixeiros iamos que no camiño nos asaltaban as follas dos chopos que se ían desprendendo, sobre o cabelo, sobre os ombreiros borboriñaban os seus nomes incomprensíbeis, na linguaxe inmóbil das árbores / porque a perda é avanzo e ao avanzar perdemos / abrindo o tempo do espazo no espazo do tempo / o peso, o desexo, a materia / no limiar do berro / respirando


 

a perda, ainda que seja da memória, sempre nos leva para trás / e de repente voltamos a estar no chão, castigados pela lama veloz, separados com a nossa marca de argila na testa / toda a perda tem a ver com algo que nos antecede, que não podemos nomear nem recuperar / e no entanto as árvores do bosque em que nos perdemos ainda conservam as suas letras os seus pergaminhos prensados, ainda que ninguém os leia, ainda que ninguém nos recorde / e por isso perdemos constantemente pequenos objetos / não há chaves na porta, só o metal de algo que não encaixa, que fere o lombo manso e irremediável da madeira / ou perdemo-nos na sua perda para encontrar a nossa / as penas também nos perdem, já não podem escrever esta ferida / e jazemos muitos meses encaixados / até que a tinta se ergue e caminha o seu desconcerto / todo fim nos remete ao início que perdemos / os golpes abriram a forma às suas deformidades/ no olho separado tramita-se a manipulação das imagens / com rajadas de prata que selam as fontes / o braço que perdeu o seu corpo já só pode despedir-se / ramificado e faminto, o silêncio, vai engolindo as palavras / por isso cala o bosque dos meninos perdidos, dos pais perdidos / ainda que também possamos perder o medo a perder o medo a perder / canta o pássaro—árvore, despe-se para que mais ninguém escreva sobre ele / assobiando os pensamentos muito devagar / caminhando para trás, sobre o contorno que percorrem as formigas / a matriz que cozinha as formas, no fogo que não se avivou / até chegar ao miolo do pão ensalivado / onde tudo é possível e nada foi decidido ainda / poder ser albatroz, mica balde transbordado, castor, lagarta morta, metamorfose lavada e perfumada / no torno das pessoas que desapareceram, que ainda ecoam noutras gares / do que come e ri sem saber que o faz por repetição e fratura / e se tudo acontece à vez porque chegam tão tarde os comboios / foi no reverso duma moeda fora de curso / cunharam um barco, mas as suas velas apagadas e era noite / agora amanhece e perdemos o intacto / o intacto acorda-nos a cada manhã, com os dedos molhados / perdemos comboios, espigas, aviões, quilos / e silêncio é uma fila de dentes arrancados / toda eleição fotografa uma perda, e os bordos em sombra derramam-se / perdemos alguns livros valiosos, alguns panos de estanho / tão ligeiros íamos que no caminho nos assaltavam as folhas dos choupos que se iam desprendendo, sobre o cabelo, sobre os ombros segredavam os seus nomes incompreensíveis, na linguagem imóvel das árvores / porque a perda é avanço e ao avançar perdemos / abrindo o tempo do espaço no espaço do tempo / o peso, o desejo, a matéria / no umbral do grito / respirando

 


Revisora da tradução para o Português: Sara I. Veiga

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