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María Negroni. Arte y Fuga. Pre-textos, 2010.

Arte e Fuga. Cosmorama, 2017.  Tradução para português de Jorge Melícias.


I

(INTRADA)

el otoño
hace cantar al amarillo

           hoy es domingo     llueve

está abierto
          el jardín cerrado
de la palabra nunca

digamos
que un ruiseñor incierto
como reflejo oscuro de la nada
cruza el lenguaje

oiremos
si prestamos atención

si damos los besos que caen
adentro del asombro
cuando el asombro inventa
          el contrapunto de su nombre
y se recuerda

te amo
llueve en la ciudad extranjera

nada — dijo el rabino de Praga
sino una flecha de agua
        conduce al ruiseñor

digamos que el fracaso
lo hace cantar

que en la escritura esquiva
de lo humano
avanza un barco
enamorado del río
que lo pierde

vendrá tu cuerpo amor
y tendrá la ausencia

el Deseo — dijo el rabino de Praga
hace existir
la irrealidad de todo

no hay más recurso
contra la huella imperfecta
de las cosas
ni más inspiración que el infinito
proyecto de ser Nadie
está embarcada la noche

 

el amarillo
        no ha dejado de sonar

navega en lo extranjero de sí mismo
atento a las miguitas que dejamos
como una luz privada
en el asombro
oscuro del poema

el arte es una fuga — dijo el rabino de Praga
hay que inventar lo que somos
cuando el otoño imanta
la palabra nunca
y entonces eso habla
como un agua virgen habla
como una música abierta
y nos ensena a morir

 

I

(INTRADA)

o outono
faz cantar o amarelo

        hoje é domingo     chove

está aberto
        o jardim fechado
da palavra nunca

digamos
que um rouxinol improvável
como reflexo obscuro do nada
cruza a linguagem

 

ouviremos
se prestarmos atenção

 

se oferecemos os beijos que caem
dentro do assombro
quando o assombro inventa
         o contraponto do seu nome
e se recorda

 

amo-te
chove na cidade estrangeira

 

nada — disse o rabino de Praga
senão uma flecha de água
         conduz ao rouxinol

 

digamos que o fracasso
o faz cantar

 

que na esquiva escrita
do humano
avança um barco
enamorado do rio
que o perde

 

virá o teu corpo amor
e terá a ausência

 

o Desejo — disse o rabino de Praga
faz existir
a irrealidade de tudo

 

não há outro recursocontra a pegada imperfeita
das coisas
nem outra inspiração que o infinito
projeto de ser Ninguém
está embarcada a noite

 

o amarelo
        não deixou de sonhar
navega no estrangeiro de si mesmo
atento às migalhas que deixamos
como uma luz privada
no assombro
obscuro do poema

 

a arte é uma fuga — disse o rabino de Praga
há que inventar o que somos
quando o outono atrai
a palavra nunca
e então isso fala
como uma água pura fala
como uma música livre
e ensina-nos a morrer

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