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Imaxe: Alexandre Fernández “Nano”

 

Quico Valeiras. O tempo da cireixa. Edicións positivas, 2019.

O TEMPO DA CIREIXA

(á miña tía isabel)

 

Non eran nin a herba nin as maus vellas da costura

as portas abertas de cara ó patio

o cheiro a cireixas

os paxaros que as derraman por entre as polas

o peso que as derrama contra ó chau

o sol polo plástico azul da pequena piscina

que tamén cheira

o inventario dos gozos

a posibilidade de tira-la pedra

 

Era iso e moito máis Eu só quería que me devorasen

                                                                           /Avantar


E.U.R.O.P.A.

“perderlle o medo á quentura e

querer as mans coma nunca se fixera antes”

lara dopazo ruibal

espirnos coas unllas

e xogar a un ritual de fósforos

que indique o punto exacto onde querer arder

agora

asentindo a como nas lapas nos recoñecemos

tamén

          tan

               ben

“só despois me vin”

escribiche en gris coas túas propias cinsas

sobre as baldosas

e logo

botámolo todo ás turbinas

dalgunha maquinaria estraña

que nos resoa dende o ventre

coma un ensaio que non fora o noso

pra sucumbir na sabotaxe

“sómo-las fillas ilustradas

da combustión e do erro”

 

lla luz

caía polas paredes cando xa non se ouvía nada

pra amar hai que estoupar en mil anacos

e xa está


O TEMPO DA CEREJA

(à minha tia isabel)

 

Não eram nem a erva nem as mãos velhas da costura

as portas abertas viradas para o pátio

o cheiro a cerejas

os pássaros que as derramam por entre os ramos

o peso que as derrama contra o chão

o sol pelo plástico azul da pequena piscina

que também cheira

o inventário dos gozos

a possibilidade de atirar a pedra

 

Era isso e muito mais Eu só queria que me devorassem

                                                                           /Avançar


E.U.R.O.P.A.

“perder o medo à febre e

querer as mãos como nunca se fizera antes”

lara dopazo ruibal

despir-nos com as unhas

e brincar a um ritual de fósforos

que indique o ponto exato onde querer arder

agora

assentindo a como nas chamas nos reconhecemos

também

          tão

               bem

“só depois me vi”

escreves-te em cinzento com as tuas próprias cinzas

sobre os ladrilhos

e logo

deitamos tudo às turbinas

de alguma maquinaria estranha

que nos ressoa desde o ventre

como um ensaio que não fora o nosso

para sucumbir na sabotagem

“somos as filhas ilustradas

da combustão e do erro”

 

e a luz

caía pelas paredes quando já não se ouvia nada

para amar há que estourar em mil pedaços

e já está


EL TIEMPO DE LA CEREZA

(a mi tía isabel)

 

No eran ni la yerba ni las manos viejas de la costura

las puertas abiertas de cara al patio

el olor a cerezas

los pájaros que las esparraman por entre las ramas

el peso que las esparrama contra el suelo

el sol por el plástico azul de la pequeña piscina

que también huele

el inventario de placeres

la posibilidad de tirar la piedra

 

Era eso y mucho más Yo sólo quería que me devorasen

                                                                           /Avanzar


E.U.R.O.P.A.

“perder el miedo a la fiebre y

querer las manos como nunca antes se había hecho”

lara dopazo ruibal

desnudarnos con las uñas

y jugar a un ritual de cerillas

que indique el punto exacto donde querer arder

ahora

asintiendo a como en las llamas nos reconocemos

también

          tan

               bien

“sólo después me vi”

escribiste en gris con tus propias cenizas

sobre las baldosas

antes

de echarlo todo a las turbinas

de alguna maquinaria extraña

que nos resuena en el vientre

como un ensayo que no había sido nuestro

para sucumbir al sabotaje

“somos las hijas ilustradas

De la combustión y del error”

 

y la luz

caía por las paredes cuando ya no se oía nada

para amar hay que estallar en mil pedazos

y listo


Revisora da tradução para o Português: Sara I. Veiga

 

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