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kwaidan kobayashi

Imagem: Kwaidan, Kobayashi

José Rui Teixeira.

DIÁSPORA. Cosmorama, 2017

AUTÓPSIA. CoolBooks / Porto Editora, 2019. (Poesia Reunida)


Três poemas de:

ORÁCULO

2005-2006

 

Os filhos são insetos de alabastro
nas noites de insónia das mães
e os telhados deslizam para a parte
da frente das casas, anunciam a ruína.

Há dias em que os pressentimentos
perseguem-nos como cães, as noites
de verão, as prensas nos dedos,
os úteros dentro das mães.

Foi a tua morte que explicou a casa,
o modo como se dispõem geometricamente
as rosas sobre a terra.


Trazias as têmporas prostradas sobre as mãos
como elipses ou unguentos. E permanecias inmóvel,
o corpo sem chuva, os olhos ocasionalmente
incendiados no interior das órbitas,
sem outras cavidades que lhes servissem de abrigo.

 

A tua boca crédula pousada na turgescência
e na congestão dos dedos abúlicos,
a densidade líquida da morte
como um pressentimento pelo chão.


Lembro-me da terra seca sob a esperança
que tínhamos nas manhãs de agosto,
dos objetos inertes, suspensos no vestíbulo,
dos estandartes, dos turíbulos, do ar rarefeito;
lembro—me dos peixes dourados por baixo
de Deus, do equilíbrio dos livros
sobre as gavetas onde guardava fósseis
e fotografias; lembro—me do assombro no corredor
quando o silêncio anunciou a tua morte.
Pressenti a noite arqueada no interior das artérias,
trigo caído de fome e solidão sobre a mesa da sala,
anjos a mastigar os ciclames junto à janela
do quarto, como num aquário,
do lado de fora da ideia que temos
de estar no interior habitável dos lugares.


ORÁCULO

2005-2006

Los hijos son insectos de alabastro
En las noches de insomnio de las madres
y los tejados se deslizan hacia la parte
anterior de las casas, anuncian la ruina.

Hay días en que los presentimientos
nos persiguen como perros, las noches
de verano, las prensas en los dedos,
los úteros dentro de las madres.

Fue tu muerte la que explicó la casa,
El modo en que se disponen geométricamente
las rosas sobre la tierra.



Traías las sienes postradas sobre las manos
como elipses o ungüentos. Y permanecías inmóvil,
el cuerpo sim lluvia, los ojos ocasionalmente
incendiados en el interior de las órbitas,
sin otras cavidades que les sirviesen de abrigo.


Tu boca crédula posada en la turgencia
y en la congestión de los dedos abúlicos,
la densidad líquida de la muerte
como un presentimiento por el suelo.



Recuerdo la tierra seca bajo la esperanza
que teníamos las mañanas de agosto,
los objetos inertes, suspendidos en el vestíbulo,
los estandartes, los turíbulos, el aire enrarecido;
recuerdo los peces dorados por debajo
de Dios, el equilibrio de los libros
sobre los cajones donde guardaba fósiles
y fotografías; recuerdo el asombro en el pasillo
cuando el silencio anunció tu muerte.
Presentí la noche arqueada en el interior de las arterias,
trigo caído de hambre y soledad sobre la mesa de la sala,
ángeles mascando los ciclámenes junto a la ventana
del cuarto, como en un acuario,
en el lado exterior de la idea que tenemos
de estar en el interior habitable de los lugares.

 

ORÁCULO

2005-2006

 

Os fillos son insectos de alabastro
nas noites de insomnio das nais
e os tellados esvaran para a parte
dianteira das casas, anuncian a ruína.

Hai días en que os presentimentos
Nos perseguen coma cans, as noites
de verán, as prensas nos dedos,
os úteros dentro das nais.

Foi a túa morte a que explicou a casa,
o modo como se dispoñen xeometricamente
as rosas sobre a terra.


Traías as tempas prostradas sobre as mans
Coma elipses ou ungüentos. E permanecías inmóbel,
o corpo sen choiva, os ollos ocasionalmente
incendiados no interior das órbitas,
sen outras cavidades que lles servisen de abrigo.

A túa boca crédula pousada na turxescencia
e na conxestión dos dedos abúlicos,
a densidade líquida da morte
coma un presentimento polo chan.


Lémbrome da terra seca baixo a esperanza
que tiñamos nas mañás de agosto,
dos obxectos inertes, suspensos no vestíbulo,
dos estandartes, dos turíbulos, do aire rarefacto;
lémbrome dos peixes dourados por baixo
de Deus, do equilibrio dos libros
sobre as gabetas onde gardaba fósiles
e fotografías; lémbrome do abraio no corredor
cando o silencio anunciou a túa morte.
Presentín a noite arqueada no interior das arterias,
trigo caído de fame e soidade sobre a mesa da sala,
anxos a mastigar os ciclaminos canda a xanela
do cuarto, coma nun acuario,
do lado exterior da idea que temos
de estar no interior habitábel dos lugares.

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