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Xerardo Quintiá. Fornelos & Fornelos, segunda fundación. (Sotelo Blanco, 2016)

UNHA PRESA DE TERRA

Velaquí a experiencia
de abrir a Terra cun vello Ebro-470,

De darlle profundidade
e buscar o humus dentro do humus

a onde chegan cativas lavandeiras
cos seus traxes de neve e cinsa

entrementres o sol se despendura

e a luz, coa súa magnificencia, me aporta
un novo xeito de vitalidade. Así se produce
o reencontro             co que nalgún intre fun
aquí, onde arestora, co meu cavilar en admirativo
asumo matices e sons da realidade cambiante
que me anega e me despraza sobre todo
o que permanece. Esta é, pois, a miña

esperanza. Esta é (e non outra) a revelación
dun xesto sinxelo: o de agocharme e recoller
unha presa de argueiro cuxo tacto fresco e renovado
me proporcione emocións secretas e indivisibles
que ascenden. Son. Estou vivo a tal raiceiras

e levo dentro da memoria o que aconteceu
ao meu carón. Iso é o que a Terra me devolve.

O que en min sementa para que medre
baixo a perpetua          claridade.

UMA MANHUÇA DE TERRA

Eis a experiência
de abrir a Terra cum um velho Ebro-470,

De lhe dar profundidade
e buscar o húmus dentro do húmus

aonde chegam pequenas lavandeiras
com os seus trajes de neve e cinza

enquanto o sol se despendura

e a luz, com a sua magnificência, me aporta um novo jeito de vitalidade. Assim se produz
o reencontro             com o que nalgum instante fui
aqui, onde nesta hora, com o meu ruminar em admirativo
assumo matizes e sons da realidade cambiante
que me anega e me transporta sobre tudo
o que permanece. Esta é, pois, a minha

esperança. Esta é (e não outra) a revelação
de um gesto simples: o de me ocultar e recolher
uma manhuça de estrume cujo tato fresco e renovado
me proporcione emoções secretas e indivisíveis
que ascendem. Som. Estou vivo a essas raizeiras

e levo dentro da memória o que aconteceu
ao meu lado. Isso é o que a Terra me devolve.

O que em mim semeia para que medre
abaixo da perpétua          claridade.

UN PUÑADO DE TIERRA

He aquí la experiencia
de abrir la Terra con un viejo Ebro-470,

De darle profundidad
y buscar el humus dentro del humus

a donde llegan jóvenes lavanderas
con sus trajes de nieve y ceniza

mientras tanto el sol se descuelga

y la luz, con su magnificencia, me aporta
un nuevo modo de vitalidad. Así se produce
el reencuentro             con el que en algún instante fui
aquí, donde en esta hora, con mi cavilar en admirativo
asumo matices y sonidos de la realidad cambiante
que me anega y me desplaza sobre todo
lo que permanece. Esta es, pues, mi

esperanza. Esta es (y no otra) la revelación
de un gesto sencillo: el de esconderme y recoger
un puñado de estiércol cuyo tacto fresco e renovado
me proporcione emociones secretas e indivisibles
que ascienden. Soy. Estoy vivo a tales raíces

y llevo dentro de la memoria lo que sucedió
a mi vera. Eso es lo que la Terra me devuelve.

Lo que en mi siembra para que crezca
bajo la perpetua          claridad.

Revisora da tradução para português: Sara I. Veiga

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