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Imagem: Karel Zeman

Juan Andrés García Román. El fósforo astillado (DVD, 2008)

TE LLAMAS ANNALISA
(JAZZMÍN)

Tus manos de pianista no han tocado el piano.
No saben hacerlo. Esto no es más que lo que ha ocurrido hoy.

A través del paisaje imperfecto, solares y parcelas cubiertas por el plástico,
el hilo musical del tren de cercanías
proponía una marcha heroica.

Sobre el patín izquierdo estás sentada. Marcadas las rótulas.
Te has levantado a saludar. Caminas. Viene el viento cargado de cintura.
Dime, ¿cuál es tu nombre? Me llamaré Annalisa hasta el segundo acto,
más o menos en torno al poema de la mosca,
¿lo tienes? Se te ha caído una hoja.
En realidad, me llamaré Annalisa hasta que te decidas a soñar un
poema.
Porque entiende…

¡La foto! -alguien ha dicho-. La cámara sobre una piedra
y todos nos movemos
como formando parte de un remozado rito hasta el lugar.
Cuál de esas marionetas quiere amar, cuál ser amada. ‘
Indudablemente, sus ropas las delatan.
Tú estás movida en fotos en las que los demás somos estatuas.
Ahí se ve: tú eres la borboleta, la farfalla.
Eres la niña coronada de velas que hizo de santa Lucía en la función.
Luego, estabas en el peluquero. Te cortaban mechones con cera fundida,
¿no es así?

Mirarte de reojo en la conversación de amigos con sus highlights:
Las llamitas izadas sobre las tes de ťarťa…
-Yo conozco un vía crucis que recorre los estómagos de una vaca.
Incluido el libro.
-Yo conozco al inquilino de la silla del gigante,
la silla construida por una fábrica de muebles delante de una montaña.

¿Un gigante se sienta en el paisaje?
Y pasamos la tarde entre frases y fresas

hasta que de repente… ¿Quién es la mariposa?
La bicicleta de la mariposa, la tuya…, la coges y te vas.
Le dejeneur sur l’ herbe se levanta.
No logrará alcanzarte. Espérame.
La literatura es una tortuga que se acerca al final de un trampolín.
Recuerda que no hay regreso,
recuerda que éste es mi largo poema sin leixaprén.

Cuaderno del apuntador.

La princesa se orina y el guisante, cien colchones de colores más abajo, comienza a germinar.


CHAMAS-TE ANNALISA
(JAZZMIM)

As tuas mãos de pianista não tocaram o piano.
Não sabem fazê-lo. Isto é só o que aconteceu hoje.

Através da paisagem imperfeita, terrenos e baldios cobertos pelo plástico,
o fio musical do comboio suburbano
propunha uma marcha heróica.

Sobre o patim esquerdo estás sentada. Marcadas as rótulas.
Levantaste-te para cumprimentar. Caminhas. Vem o vento carregado de cintura.
Diz-me, qual é o teu nome? Chamar-me-ei Annalisa até ao segundo ato,
mais ou menos à volta do poema da mosca,
Tem-lo? Caiu-se-te uma folha.
Na realidade, chamar-me-ei Annalisa até que decidas sonhar um
poema.
Porque compreende…

A foto! -alguém disse-. A câmara sobre uma pedra
e todos nos mexemos
como se formássemos parte de um renovado rito até ao lugar.
Qual dessas marionetas quer amar, qual ser amada. ‘
Indubitavelmente, as suas roupas denunciam-nas.
Tu sais tremida nas fotos em que os outros somos estátuas.
Aí se vê: tu és a borboleta, a farfalla.
És a menina coroada de velas que fez de santa Lúcia na representação.

Depois estavas na cabeleireira. Cortavam-te madeixas com cera fundida,
não é assim?

Olhar-te de soslaio na conversa de amigos com os seus highlights:
As chaminhas içadas sobre os tês de pasťel de naťa…
-Eu conheço um via-crúcis que percorre os estômagos de uma vaca.
Incluído o livro.
-Eu conheço o inquilino da cadeira do gigante,
a cadeira construída por uma fábrica de móveis diante de uma montanha.

Um gigante senta-se na paisagem?
E passamos a tarde entre frases e framboesas

até que de repente… Quem é a borboleta?
A bicicleta da borboleta, a tua…, apanha-la e vais-te embora.
Le dejeneur sur l’ herbe ergue-se.
Não conseguirá alcançar-te. Espera por mim.
A literatura é uma tartaruga que se aproxima ao limite de um trampolim.
Lembra-te que não há regresso,
lembra-te que este é o meu longo poema sem leixa-pren.

Caderno do apontador.

A princesa urina-se e a ervilha, cem colchões de cores por baixo, começa a germinar.

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