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Alice Svankmajer

Imaxe: Alice, de Jan Svankmajer.

White Rabbits. Lucía Novas.



Procurarei o rizoma, o labirinto, a interconexão, o múltiplo

olhar sobre os corpos, a coisificação, a ambiguidade, as

folhas de eucalipto

sobre as murtas, as raízes recuperadas, as histórias enoveladas,

os retomares da terra, dos grãos dispersos, da desolação;

procurarei a tenrura

debaixo dos lábios cortados, sob nevadas ariscas, dédalos ausentes;

procurarei o medo, as tocas

da alimária, os dentes das réstias

dos alhos milenares, a rugosidade, a torta, a doçura

do arroz, a carapuça vermelha, a ratinha cinzenta;

e sou uma chave

sobre o tempo, a bota do ogre, as sete léguas, os cabritinhos perdidos,

as raízes do povo, o hipertexto, o patriarcado desfeito,

a sêmola de arroz;

e procuro as horas, o remanso aparente, os mundos paralelos, o relógio sereno,

a sala de lisboa;

e sou arca grande, tulha de esperança,

the gold box, caixa de pandora;

e sou cuspe sobre o lume, punhado de terra, monte

de sal, luminoso abatimento;

e rebento as verrugas

das bruxas aldrabadas, os remendos de Oz,

os nove sapatos, princesas de veados, revoluções

de ocasos;

e procuro a estrela

deitada sobre o tempo, a bandeira queimada,

a fogueira das sobras, os restos inteiros;

e sou rumor, passos afastados, unhas despistadas, retalhos de tédio;

e sou tarde de domingo, caixa de surpresas, sábado radiante, colchas de recordações,

rendimentos infames;

e já volta o avô, os sapatos grandes, a espuma de barbear, o after shave, a menta

sobre as rodas, os rodízios apaixonados, a colheita dos cogumelos, o gato das botas,

os dolmens antigos; e sou pedra fincada

no caminho, e desço aos subterrâneos, e procuro o rizoma,

a toca de Alice,

o caramelo de anis.


 

Procuraré el rizoma, el laberinto, la interconexión, la múltiple

mirada sobre los cuerpos, la cosificación, la ambigüedad, las

hojas de eucalipto

sobre los mirtos, las raíces recuperadas, las historias ovilladas,

los retomares de la tierra, de los granos dispersos, de la desolación;

procuraré la ternura

bajo los labios cortados, so nevadas ariscas, dédalos ausentes;

procuraré el miedo, las madrigueras

de la alimaña, los dientes de las ristras

de los ajos milenarios, la rugosidad, la torta, la dulzura

del arroz, la caperucita roja, la ratita gris;

y soy una llave

sobre el tiempo, la bota del ogro, las siete leguas, los cabrititos perdidos,

el raigambre del pueblo, el hipertexto, el patriarcado deshecho,

la sémola de arroz;

y procuro las horas, el remanso aparente, los mundos paralelos, el reloj sereno,

la sala de lisboa;

y soy arca grande, hucha de esperanza,

the gold box, caja de pandora;

y soy esputo sobre el fuego, puñado de tierra, montón

de sal, luminoso abatimiento;

y reviento las verrugas

de las meigas injuriadas, los remiendos de Oz,

los nueve zapatos, princesas de ciervos, revoluciones

de ocasos;

y procuro la estrella

tendida sobre el tiempo, la bandera quemada,

la hoguera de las sobras, los desperdicios enteros;

y soy rumor, pasos alejados, uñas despistadas, retales de tedio;

y soy tarde de domingo, cajón de sorpresas, sábado radiante, colchas de recuerdos,

réditos infames;

y ya vuelve el abuelo, los zapatos grandes, la espuma de afeitar, el after shave, la menta

sobre las ruedas, los rodeznos apasionados, la recolecta de las setas, el gato con botas,

los dólmenes antiguos; y soy piedra incrustada

en el camino, y bajo a los subterráneos, y procuro el rizoma,

la guarida de Alicia,

el caramelo de anís.


 

Procurarei o rizoma, o labirinto, a interconexión, a múltiple

ollada sobre os corpos, a cousificación, a ambigüidade, as

follas de eucalipto

sobre os mirtos, as raíces recuperadas, as historias ennobeladas,

os retomares da terra, dos grans dispersos, da desolación;

procurarei a tenrura

baixo os labios cortados, sob nevadas ariscas, dédalos ausentes;

procurarei o medo, os tobos

da alimaria, os dentes das restras

dos allos milenarios, a rugosidade, a torta, a dozura

do arroz, a carapuchiña vermella, a ratiña gris;

e son unha chave

sobre o tempo, a bota do ogro, as sete leguas, os cabritiños perdidos,

o raizame do pobo, o hipertexto, o patriarcado desfeito,

a sémola de arroz;

e procuro as horas, o remanso aparente, os mundos paralelos, o reloxo sereno,

a sala de lisboa;

e son arca grande, hucha de esperanza,

the gold box, caixa de pandora;

e son chuspe sobre o lume, presada de terra, morea

de sal, luminoso abatemento;

e rebento as espullas

das meigas aldraxadas, os remendos de Oz,

os nove zapatos, princesas de cervos, revolucións

de ocasos;

e procuro a estrela

tendida sobre o tempo, a bandeira queimada,

a fogueira das sobras, os refugallos enteiros;

e son rumor, pasos afastados, unllas despistadas, retallos de tedio;

e son tarde de domingo, queixón de sorpresas, sábado radiante, colchas de recordos,

réditos infames;

e xa volve o avó, os zapatos grandes, a escuma de afeitar, o after shave, a menta

sobre as rodas, os rodicios apaixonados, a recolleita dos cogomelos, o gato con botas,

os dolmens antigos; e son pedra fincada

no camiño, e baixo ós subterráneos, e procuro o rizoma,

a tobeira de Alicia,

o caramelo de anís.

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