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Carcinoma, Daniela Camacho + dibujos de Christian Becerra. 2014, Artes de México


Escritura celular 1. [Escándalo e dexeneración]

Agora falas con alguén que afoga:

tumor destrúeme

fai de min a muller non maternal

fai que a miña ferida permaneza maldita

persígueme tumor rebórdame

que non me vaia

deste mundo

e deste mundo.

Escritura celular 2. [Multiplicación]

Ser rapariga soa e depravada

para dicir: invádeme.

Toda a miña escura tremendo

toda a miña aterrada a cegas

esperando que lle paralicen o rostro

un só coitelo pode salvarnos

un algo frío que abra e extirpe e me deixe incompleta

pode salvarnos dígome pode salvarnos

por un tempo

que será todos os tempos

porque o cancro nunca comeza

e nunca remata.

Escritura celular 3. [Monomanía]

Eu estaba e non estaba

no rostro

que se rendía para ser cuberto

por unha máscara

e era rescatado pola radiación

cada mañá.

Eu era e non era esa afirmación

o leite derramado tan preto da boca

eu caendo toda lingua

e mandíbula feroz

xa sen moverse

no ceo dos homes.


Escritura celular 1. [Escândalo e degeneração]

Agora falas com alguém que se afoga:

tumor destrói-me

faz de mim a mulher não maternal

faz com que a minha ferida permaneça maldita

persegue-me tumor transborda-me

que não me vá

deste mundo

e deste mundo .

Escritura celular 2. [Multiplicação]

Ser miúda sozinha e depravada

para dizer: invade-me.

Toda minha obscura tremendo

toda minha aterrada às cegas

esperando que lhe paralisem o rosto

uma só faca pode salvar-nos

um algo frio que abra e extirpe e me deixe incompleta

pode salvar-nos digo para mim pode salvar-nos

por um tempo

que será todos os tempos

porque o cancro nunca começa

e nunca termina.

Escritura celular 3. [Monomania]

Eu estava e não estava

no rosto

que se rendia para ser coberto

por uma máscara

e era resgatado pela radiação

em cada manhã.

Eu era e não era essa afirmação

o leite derramado tão perto da boca

eu caindo toda língua

e mandíbula feroz

já sem se mover

no céu dos homens.


Escritura celular 1. [Escándalo y degeneración]

 

Ahora hablas con alguien que se ahoga:

 

tumor destrúyeme

haz de mí la mujer no maternal

haz que mi herida permanezca maldita

persígueme tumor rebásame

que no me vaya

de este mundo

y de este mundo .

 

Escritura celular 2. [Multiplicación]

 

Ser muchacha sola y depravada

para decir: invádeme.

 

Toda mi oscura temblando

toda mi aterrada a ciegas

esperando que le paralicen el rostro

un solo cuchillo puede salvarnos

un algo frío que abra y extirpe y me deje incompleta

puede salvarnos me digo puede salvarnos

por un tiempo

que será todos los tiempos

porque el cáncer nunca comienza

y nunca termina.

 

Escritura celular 3. [Monomanía]

 

Yo estaba y no estaba

en el rostro

que se rendía para ser cubierto

por una máscara

y era rescatado por la radiación

cada mañana.

 

Yo era y no era esa afirmación

la leche derramada tan cerca de la boca

yo cayendo toda lengua

y mandíbula feroz

ya sin moverse

en el cielo de los hombres.


Revisora da tradução para o Português: Sara I. Veiga

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