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poema IX

Jesús Castro Yáñez. Ultramarino. Chan da Pólvora, 2017.

IX

(Reunímonos porque chove.
Tamén niso consiste a chuvia.
En agardar, mentres secamos un na compaña do outro,
e saber que o que somos é roupa tendida á calor
do que fomos.)

Abril no seu sitio,
bordados de ouro.

Recordo o teu chuvasqueiro amarelo
dunha cor que non sabe xa non ser, e

cando recordo
podo bailar
sen me mover.


IX

(Reunimo-nos porque chove.
Também nisso consiste a chuva.
Em esperar, enquanto secamos um na companhia do outro,
e saber que o que somos é roupa estendida ao calor
do que fomos.)

Abril no seu sítio,
bordados de ouro.

Lembro a tua capa de chuva amarela
de uma cor que não sabe já não ser, e

quando lembro
posso bailar
sem me mexer.


IX

(Nos reunimos porque llueve.
También en eso consiste la lluvia.
En esperar, mientras secamos el uno en compañía del otro,
y saber que lo que somos es ropa tendida
al calor de lo que fuimos.)

 

Abril en su sitio,
bordados de oro.

Recuerdo tu chubasquero amarillo
de un color que no sabe ya no ser, y

cuando recuerdo
puedo bailar
sin moverme.


Traducción al castellano del propio autor.

Revisora da tradução para o Português: Sara I. Veiga

A imaxe de cabeceira é un cianotipo feito polo propio Jesús Castro Yáñez
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