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Foto: Tom Hoops

Eduardo Guerra Carneiro

Um poema de É assim que se faz a história, recolhido em Mil e Outras Noites, Uma Antologia (Lingua Morta, 2018)


Teorema

Alguma coisa, pois. me leva a isto. Pergunto—me: necessidade?

E propósito nasce de estar fora, cultivando a fácil loucura.

Deus / a morte. O que parece riso e vendo bem não é.

Alguma coisa a destruir na memória dos gestos. A necessidade

clara de ir além das sílabas e dizer tudo. Não pergunto:

sei. Daí um tremendo mal estar, aquele café ruidoso onde

estive todo, a visita insólita à casa quase interdita, uma revolta

sempre obsessiva numa religião/anti/antiga. Claro:

palavras fáceis, fascinação por um discurso vago, necessidade própria.

Contudo escrevo sobre textos destruídos. Sublinho o interesse

de uma prosa em círculos envolvendo /enredando.

Entenda—se: no interior há régua, compasso, tesoura.

Outra vez: a morte. O álcool de Setembro agita imagens.

As barracas desertas, o vento atirando areia para os átrios.

Falarei de ti no sítio exacto. Aqui: um teorema.

Vendo bem: o rosto de um homem.


Teorema

Algo, pues. me lleva a esto. Me pregunto: ¿necesidad?

El propósito nace de estar fuera, cultivando la fácil locura.

Dios / la muerte. Lo que parece risa y viendo bien no lo es.

Algo que destruir en la memoria de los gestos. La necesidad

clara de ir más allá de las sílabas y decir todo. No pregunto:

. De ahí un tremendo mal estar, aquel café ruidoso donde

estuve todo, la visita insólita a la casa casi prohibida, una revuelta

siempre obsesiva en una religión/anti/antigua. Claro:

palabras fáciles, fascinación por un discurso vago, necesidad propia.

Sin embargo escribo sobre textos destruidos. Subrayo el interés

de una prosa en círculos envolviendo /enredando.

Entiéndase: en el interior hay regla, compás, tijera.

Otra vez: la muerte. El alcohol de Septiembre remueve imágenes.

Las barracas desiertas, el viento lanzando arena a los atrios.

Hablaré de ti en el sitio exacto. Aquí: un teorema.

Viéndolo bien: el rosto de un hombre.


Teorema

Algunha cousa, pois, lévame a isto. Pregúntome: necesidade?

O propósito nace de estar fóra, cultivando a fácil loucura.

Deus / a morte. O que parece riso e vendo ben non é.

Algunha cousa que destruír na memoria dos xestos. A necesidade

clara de ir alén das sílabas e dicir todo. Non pregunto:

sei. De aí un tremendo mal estar, aquel café ruidoso onde

estiven todo, a visita insólita á casa case prohibida, unha revolta

sempre obsesiva nunha relixión/anti/antiga. Claro:

palabras fáciles, fascinación por un discurso vago, necesidade propia.

Con todo escribo sobre textos destruídos. Subliño o interese

dunha prosa en círculos envolvendo /enredando.

Enténdase: no interior hai regra, compás, tesoira.

Outra vez: a morte. O alcol de Setembro remexendo imaxes.

As barracas desertas, o vento tirando area para os atrios.

Falarei de ti no sitio exacto. Aquí: un teorema.

Vendo ben: o rostro dun home.

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