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Poema e fotografías de Nieves Neira


Inhame

 

A luz da pranta

A gota que a choiva deixou esa tarde

entre unha e outra folla de inhame

A ondulación do borde onde comeza a ser aire.

 

Ninguén, aínda así, aínda aquí, coñece o noso segredo

A fibra que dentro do corpo estira os tecidos permanece invisible

O arco co que o planeta completa a súa órbita e segue dobrándose no seu desexo.

 

A luz da pranta

cando a luz de Venus

chega ás nervaduras

e a distancia se converte

nun perfume.

 

A linguaxe é unha gota de auga

Pode a palabra dicir dela o que nunca se dixo

e milleiros de cantos apurarse dentro,

milleiros de ollos coma os meus que a viron sola,

a última en evaporarse,

lenta na velocidade que ten a vida

de fuxir.

 

A adquisición do sentido é metafórica

unha cuestión de tacto, cando os ollos se debruzan

no ceo e na terra até verse a si

Cando a ouvimos falar de nós

queda

cristalina

 

A xoia que o día nos ofrece

 

Tomémola

CSC_2921.JPG

Inhame

 

A luz da planta

A gota que a chuva deixou essa tarde

entre uma e outra folha de inhame

A ondulação do bordo onde começa a ser ar.

 

Ninguém, ainda assim, ainda aqui, conhece o nosso segredo

A fibra que dentro do corpo estica os tecidos permanece invisível

O arco com o que o planeta completa a sua órbita e continua a dobrar-se no seu desejo.

 

A luz da planta

quando a luz de Vénus

chega às nervuras

e a distância se converte

num perfume.

 

A linguagem é uma gota de água

Pode a palavra dizer dela o que nunca foi dito

e milhares de cantos apurar-se dentro,

milhares de olhos como os meus que a viram só,

a última a evaporar-se,

lenta na velocidade que tem a vida

de fugir.

 

A adquisição do sentido é metafórica

uma questão de tato, quando os olhos se debruçam

no céu e na terra até se verem a si

Quando a ouvimos falar de nós

queda

cristalina

 

A alfaia que o dia nos oferece

 

Tomemo-la

CSC_2923.JPG

Ñame

 

La luz de la planta

La gota que la lluvia dejó esa tarde

entre una y otra hoja de ñame

La ondulación del borde donde comienza a ser aire.

 

Nadie, aún así, aún aquí, conoce nuestro secreto

La fibra que dentro del cuerpo estira los tejidos permanece invisible

El arco con el que el planeta completa su órbita y sigue doblándose en su deseo.

 

La luz de la planta

cuando la luz de Venus

llega a las nervaduras

y la distancia se convierte

en un perfume.

 

El lenguaje es una gota de agua

Puede palabra decir de ella lo que nunca se dijo

y miles de cantos apurarse dentro,

miles de ojos como los míos que la vieron sola,

la última en evaporarse,

lenta en la velocidad que tiene la vida

de huir.

 

La adquisición del sentido es metafórica

una cuestión de tacto, cuando los ojos se debruzan

en cielo y  tierra hasta verse a sí

Cuando la escuchamos hablarnos

quieta

cristalina

 

La joya que el día nos ofrece

 

Tomémosla

CSC_2920

Revisora da tradução para português: Sara I. Veiga

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