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Foto: Heinz Hajek-Halke

Tatiana Faia

Poema incluído na Antologia de Poesia Comtemporânea Voo Rasante. (Mariposa Azual, 2015)

A ORELHA

Um idiota fala sobre poesia. Agora vais ter de lhe emprestar o ouvido porque ele é um homem a sério. O facto de ele estar zangado não te deixa qualquer dúvida que ele tem de obter a tua atenção. Como constantemente te dizem que o melhor é obedecer (para não criar tenções), cortas a orelha e deixa—la cair sobre as suas mãos. Agora podes dedicar—lhe o teu melhor olhar inquisidor. Acarinhei a intenção desse susto, demorei os olhos em cima deste pregador. Tenho de me lembrar desta cara particularmente, porque sei que isto vai tornar a acontecer.

Continuo a arrastar perguntas, tenho cada vez menos respostas, menos gente a quem perguntar. Como outro qualquer, carrego comigo coisas. Uma hierarquia de desrazões. Quanto mais explicações, menos motivos.

No coração de cada ideia é possível distinguir uma pedra, preta e compacta, porque absorveu toda a luz em redor. Tu estendeste a mão e estavas à espera da impressão do calor. É sempre a mesma história. Alguém deixou aqui o encaixe, mas não há bem uma língua que chegue para este grito nem um ouvido em que ele encaixe completamente. Isto é sobre uma comunicação interrompida. A história de um erro. Esmurrar a parede com a chave e estar à espera que o que se abra seja uma porta.


A ORELLA

Un idiota fala sobre poesía. Agora vas ter que emprestarlle o ouvido porque el é un home en serio. O facto de el estar enfurruñado non che deixa calquera dúbida de que el ten que obter a túa atención. Como constantemente te din que o mellor é obedecer (para non crear tensións), cortas a orella e deixala cair sobre as súas mans. Agora podes adicarlle o teu mellor ollar inquisidor. Acariñei a intención dese susto, demorei os ollos enriba deste predicador. Teño que me lembrar desta cara particularmente, porque sei que isto vai voltar acontecer.

Continúo a arrastrar preguntas, teño cada vez menos respostas, menos xente a quen preguntar. Como outro calquera, cargo comigo cousas. Unha xerarquía de sinrazóns.Cantas máis explicacións, menos motivos.

No corazón de cada idea é posíbel distinguir unha pedra, negra e compacta, porque absorbeu toda a luz ao redor. Ti estendiches a man e estabas á espera da impresión do calor. É sempre a mesma historia. Alguén deixou aquí o encaixe, mais non hai ben unha lingua que chegue para este grito nen un ouvido en que ele encaixe completamente. Isto é sobre unha comunicación interrompida. A historia dun erro. Espetar na parede unha chave e estar á espera que o que se abra sexa uma porta.


LA OREJA

Un idiota habla sobre poesía. Ahora vas a tener que prestarle oídos porque él es un hombre de verdad. El hecho de que esté enfadado no te deja la menor duda de que él tiene que recibir tu atención. Como constantemente te dicen que lo mejor es obedecer (para no tentar a la suerte), cortas la oreja y la dejas caer sobre sus manos. Ahora puedes dedicarle tu mejor mirada inquisidora. Acaricié la intención de ese susto, demoré la vista sobre tal predicador. Tengo que acordarme de esta cara en concreto, porque sé que esto volverá a suceder.

Continúo arrastrando preguntas, tengo cada vez menos respuestas, menos gente a quien preguntar. Como cualquier otro, porto conmigo cosas. Una jerarquía de sinrazones. Cuantas más explicaciones, menos motivos.

En el corazón de cada idea es posible distinguir una piedra, negra y compacta, porque absorbió toda la luz en derredor. Tú extendiste la mano y estabas esperando la impresión del calor. Es siempre la misma historia. Alguien dejó aquí el engarce, pero no hay lengua que baste para este grito ni oído en que él engarce completamente. Esto es sobre una comunicación interrumpida. La historia de un error. Golpear la pared con la llave y esperar que lo que se abra sea una puerta.

 

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