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Silvia Penas Estévez. Fronteira paraíso. (Urutau, 2019)

 

Entre os restos espertei cunha marca en forma de puñal

o puñal abriu ao medio Paraíso,

deixou pasar un río,

o río fíxose límite.

 

 

*

Correspóndese coa verdade

sen parecerse en nada á verdade:

o teu soño de paxaro fíxome paxaro,

a palabra conquistou o voo,

onde non hai nada e incluso así

todo é posible e está prendido.

Aproximeime a un espello

e unicamente con palabras

convencino da beleza.

 

 

*

Colocar a ira sobre o gume da neve

e desde ela escribir o corpo.

Saín moi cedo a redactalo

sobre un pupitre abandonado rúa abaixo.

Roda ata que cede o asfalto lugar para os xardíns,

mais non o alcanzo.

Chego co trono atravesándome a caluga:

tras o lampo.

Demoro anos en facerme oír.

Así me tardo, así me canso de agardarme.

O meu eco trae a textura da distancia

e marcha outra vez.

Debuxei o meu rostro nun espello

e só me vin cando trataba de parecerme a algo repetido.

Cambieime entón pola silueta dun paxaro

mesmo sen saber perfilar unhas ás.

 


Entre os restos acordei com uma marca em forma de punhal

o punhal abriu Paraíso a meio,

deixou passar um rio,

o rio tornou-se limite.

*

Corresponde-se com a verdade

sem parecer-se em nada à verdade:

o teu sonho de pássaro fez-me pássaro,

a palavra conquistou o voo,

onde não há nada e ainda assim

tudo é possível e está aceso.

Aproximei-me a um espelho

e unicamente com palavras

convenci-o da beleza.

*

Colocar a ira sobre o gume da neve

e desde ela escrever o corpo.

Sai muito cedo para o redigir

sobre uma escrivaninha abandonada no fim da rua.

Roda até o alcatrão ceder lugar aos jardins,

mas não o alcanço.

Chego com o trovão a atravessar-me a nuca:

após o relâmpago.

Demoro anos a fazer-me ouvir.

Assim me demoro, assim me canso de me esperar.

O meu eco traz a textura da distância

e vai-se outra vez.

Desenhei o meu rosto num espelho

e só me vi quando começava a parecer-me a algo repetido.

Troquei-me então pela silhueta de um pássaro

mesmo sem saber perfilar umas asas.


Entre los restos desperté con una marca en forma de puñal

el puñal abrió al medio Paraíso,

dejó pasar un río,

el río se hizo límite.

*

Se corresponde con la verdad

sin parecerse en nada a la verdad:

tu sueño de pájaro me hizo pájaro,

la palabra conquistó el vuelo,

donde no hay nada e incluso así

todo es posible y está encendido.

Me aproximé a un espejo

y únicamente con palabras

lo convencí de la belleza.

*

Colocar la ira sobre el filo de la nieve

y desde ella escribir el cuerpo.

Salí muy temprano a redactarlo

sobre un pupitre abandonado calle abajo.

Rueda hasta que cede el asfalto lugar para los jardines,

pero no lo alcanzo.

Llego con el trueno atravesándome la nuca:

tras el relámpago.

Me lleva años hacerme oír.

Así me tardo, así me canso de esperarme.

Mi eco trae la textura de la distancia

y se marcha otra vez.

Dibujé mi rostro en un espejo

y solo me vi cuando trataba de parecerme a algo repetido.

Me cambié entonces por la silueta de un pájaro

aun sin saber perfilar unas alas.

 

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