Home

Marcos Foz. Arca e usura (2019)

Com a câmara devidamente

posicionada inicia o depoimento

o homem de costas descendo a estrada alucinada

videiras de um lado oliveiras do outro e o primeiro

morcego a sair na confusão do lusco-fusco a servir

de testemunha

 

a trovoada curva-se cerimoniosa

dando início ao sentir da noite

onde desemboca esta crónica

com barbárie cometida e saudada

e muita música por passar a limpo

 

um cruzamento visto de cima o olhar apontado

a uma estaca que parada tenta decidir se

a casa dos primeiros anos se a arena musical

da aldeia a igreja com a sua cruz muda e verde

a iluminar-lhe o rosto e vê-lo descer seguindo sempre a rota das lâmpadas

de três cores com bandeiras a representar pátrias minúsculas

talvez cada lâmpada cada bandeirinha para cada homem

do centro da aldeia até ao extremo

da música dos balcões sujos

que reúnem coiotes mal tratados todos em fila indiana

com o canto dos olhos molhado com um grito preso

na garganta comunitária sim o grupo todo com o mesmo grito

apontando para o lado das musas e da cerveja

e quando o homem chega logo o convidam

a morrer junto a eles


 

Con la cámara debidamente

posicionada se inicia la exposición

el hombre de espaldas bajando por la carretera alucinada

vides de un lado olivos del otro y el primer

murciélago saliendo en la confusión del ocaso sirviendo

de testigo

 

la tormenta se inclina ceremoniosa

dando inicio al sentir de la noche

donde desemboca esta crónica

con barbarie cometida y saludada

y mucha música por pasar a limpio

 

una encrucijada vista desde arriba la mirada apuntada

a una estaca que parada intenta decidir si

la casa de los primeros años si el coso musical

de la aldea la iglesia con su cruz muda y verde

iluminándole el rostro y verlo bajar

siguiendo siempre la ruta de las bombillas

de tres colores con banderas representando patrias minúsculas

tal vez cada bombilla cada banderita para cada hombre

del centro de la aldea hasta el extremo

de la música de los mostradores sucios

que reúnen coyotes maltratados todos en fila india

con la comisura de los ojos mojada con un grito preso

en la garganta comunitaria sí todo el grupo con el mismo grito

apuntando hacia el lado de las musas y de la cerveza

y nada más llega el hombre lo invitan

a morir junto a ellos


 

Coa cámara debidamente

disposta iníciase a exposición

o home de costas descendendo a estrada alucinada

videiras dun lado oliveiras do outro e o primeiro

morcego a saír na confusión do luscofusco a servir

de testemuña

 

a treboada cúrvase cerimoniosa

dando inicio ao sentir da noite

onde desemboca esta crónica

con barbarie cometida e saudada

e moita música por pasar a limpo

 

un cruzamento visto dende arriba a ollada apuntada

para unha estaca que parada tenta decidir se

a casa dos primeiros anos se a palestra musical

da aldea a igrexa coa súa cruz muda e verde

a iluminarlle o rostro e velo descender seguindo sempre a ruta das lámpadas

de tres cores con bandeiras a representar patrias minúsculas

talvez cada lámpada cada bandeiriña para cada home

do centro da aldea até o extremo

da música dos mostradores sucios

que reúnen coiotes maltratados todos en ringleira

co borde dos ollos mollado cun berro preso

na gorxa comunitaria si todo o grupo co mesmo berro

apuntando para o lado das musas e da cervexa

e cando o home chega logo o convidan

a morrer canda eles

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s